quem faz você?

Eis que chega você ao mundo, um bebezinho ainda inocente, sem maldade alguma no coração, completamente dependente do meio para sobreviver e se construir. Uma página em branco, é assim que chegamos ao mundo. Talvez com tendências emocionais e temperamentais a serem despertas ao longo da vida, ou não.

De qualquer forma, desde a gestação e ao longo dos primeiros anos de vida, nós vamos absorvendo os sentimentos dos nossos pais, inclusive seus medos, traumas e frustrações; vamos aprendendo sobre a vida a partir do nosso sistema familiar, da educação que recebemos, mas principalmente através do que vemos no comportamento da família. Depois vem a escola, o exemplo dos professores, a convivência com os amigos. Assim, as experiências de vida vão sendo acumuladas e, até os sete anos de idade, a página que veio vazia já está cheia, completa com todas as informações que, a partir de então, configuram os programas emocionais e comportamentais para o resto da vida.

Estes registros de emoções, medos e os significados que a criança deu para as situações, tornam-se a lente através da qual o indivíduo vai enxergar o mundo, as circunstâncias e as pessoas. O problema é que, pela pouca maturidade infantil, grande parte dos significados atribuídos às situações da vida são de culpa e não merecimento. A criança naturalmente se vê como a causa das dificuldades, principalmente no âmbito familiar. E é assim, através do que absorvemos e das pobres conclusões que chegamos, que criamos uma programação interna de valor negativo, de escassez e sofrimento.

A nossa programação é como um imã, atraímos exatamente aquilo que acreditamos. Em outras palavras, os programas emocionais são as lentes através das quais percebemos o mundo; então absolutamente tudo será visto através desta perspectiva. Sendo assim, enquanto estivermos conectados à programação interna de escassez, por mais que desejemos a felicidade, o amor, a abundância, tudo que vamos conseguir para a nossa vida são situações e pessoas compatíveis com essa vibração negativa. E por mais que a vida traga situações positivas e grandes oportunidades de felicidade, nosso comando interno de escassez e não merecimento vai dar um jeito de trazer a realidade externa para baixo. Como naquele velho ditado, “quem eu quero não me quer e quem me quer eu não quero”. É exatamente assim que vamos criando todo o drama na nossa vida.

Inconscientes da programação interior, num grande conflito de autoestima, muitas vezes acabamos por viver em extremos emocionais e comportamentais. Com vistas à pertencer e ser reconhecido pelas outras pessoas, vamos criando uma falsa personalidade para encobrir essa perspectiva negativa em relação a nós mesmos. É assim que, muitas vezes, ficamos presos numa desgastante dicotomia de “sou a melhor pessoa do mundo X sou a pior pessoa do mundo”. Sendo que “a melhor” é geralmente a persona criada para ser admirada e “a pior” é sempre o eu verdadeiro, com o qual mal temos contato, já que é motivo de vergonha.

Dia após dia, vivendo desta maneira, vamos acumulando ódio por nós mesmos e é justamente esse sentimento que se reflete quando julgamos e criticamos o outro. A perspectiva negativa em relação a si mesmo, somado à uma vida falsa, leva a pessoa a buscar a mentira e o erro do lado de fora, a projetar a culpa em qualquer outra pessoa.

Mas afinal quem é o criador da própria realidade de vida?

Quem é o responsável pelos sentimentos que você sente?

Além disso, será que somos tão imperfeitos e os outros tão perfeitos assim para que tenhamos tanta vergonha de mostrar quem realmente somos? E mais, será que somos os culpados pelos problemas e infelicidades da nossa família? Será que de fato existe um culpado absoluto por tudo?

Cada pessoa faz aquilo que acredita ser o melhor para a sua felicidade e é através dos seus erros e acertos que constitui o aprendizado e evolução em sua vida. Então por que temos tanto medo de errar, se é justamente isso que nos impulsiona em direção à responsabilidade, equilíbrio e felicidade?

É preciso reconhecer a si mesmo, nos erros e acertos, nos talentos e nas debilidades. É apenas nos aceitando exatamente como somos, que poderemos amar de verdade, a nós mesmos e aos outros. Esse é o famoso Amor Incondicional, o qual independe do sucesso ou do fracasso. Para encontrarmos o Amor dentro de nós, precisamos colocar luz e sombra lado a lado e, então, agir em busca do equilíbrio nas nossas emoções e comportamentos. Às vezes vamos errar a medida, outras vezes vamos acertar, mas sempre haverá o próximo passo e o que vai garantir o progresso é o Amor que surge da aceitação. Assim também poderemos descobrir que a liberdade é valorizar, respeitar e honrar a vida, no passado, presente e futuro.

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