Confunde-nos o tempo, às vezes.
Esquecemos que não somos o centro do Universo, o mais perfeito e poderoso ser.
Como é confortável essa ilusão;
Enquanto, assustador por demais, é o caminho da vulnerabilidade.
Nossa frágil dignidade não aguenta perceber-se nua
veste-se rapidamente de roupas e fantasias.
Mas não há dignidade sem verdade.
A verdade, sem nada a esconder, anda nua.
Mas nós, cobertos de razões, de véus e ilusões, andamos por aí envergonhados e desconfortáveis.
Cada vez mais apertados, num espaço que já foi completamente tomado pelas sombras da fantasia e do medo.
Medo de ser visto como realmente é.
Medo de ver-se além do que considera aceitável, correto e admirável.
Cobertos de falsas verdades.
Vestidos e envergonhados, enchemos o Amor de condições.
Criamos regras e tentamos, desesperadamente, separar o uno e infinito em pequenas caixas.
Nestas mesmas caixas nos escondemos e executamos as regras da medíocre normalidade.
Nascer, traumatizar, temer, crescer, fugir, sobreviver, enganar, garantir o nosso, ter alguém para nos cuidar, trabalhar, trabalhar mais, trabalhar muito, pelo sonho de outra pessoa, frustrar, adoecer, morrer.
Eis o homem, no seu ignorante medo e desamor por si mesmo e pela vida,
transformando uma verdadeira aventura em uma chata rotina, sem sentido algum.
E não é a tradição que faz a mediocridade, senão nossa covardia.
Covardes, tememos a nós mesmos, tememos a felicidade.
Tememos tanto perder, que preferimos não ter.
Morremos de medo de errar e então matamo-nos um pouco a cada dia,
asfixiando, nestas fantasiosas caixas, tudo aquilo que Somos.
Agarramo-nos desesperadamente aos limites do correto.
Mas o que é correto afinal?
Por que tanto medo de simplesmente Ser e deixar Ser?
Agimos como se fossemos vírus e se não nos disfarçarmos pela média, seremos detectados e eliminados.
Treinamos diariamente a evitar e fugir do que é bom, para não correr o risco de perder e sofrer a falta.
Desperdiçamos a vida.
Deixamos morrer de sede a Alma,
um pouco a cada dia, vivendo em apertados aquários em meio ao vasto oceano.
Para que?
De que adianta proteger-se da vida, a ponto de morrer?
Há espaço para iluminar, há muito o que explorar,
há amor abundante para entregar e vontade latente de vida, querendo se expressar.
Ou não há?
Somos seres humanos, famosa obra prima de Deus.
Filhos amados, herdeiros da Consciência e da capacidade de Criar.
Dotados da dualidade e do livre arbítrio.
Estagnar ou ir adiante?
O que realmente é nosso, ou deveria ser, são nossas escolhas.
Ficamos estagnados, morrendo de medo de errar ou de sermos descobertos errados, imperfeitos.
Mas o progresso acontece, com ou sem nós.
A sombra depende da luz para existir, mas o contrário não é verdadeiro.
A felicidade acontece, com ou sem nós.
Me pergunto quais são as referencias de perfeição que temos.
Nos comparamos com uma ilusão, com uma ideia fantasiosa do que é bom, justo e correto.
Nos enquadramos na mediocridade e assim, em meio à abundância, nos permitimos receber tão somente aquilo que achamos que merecemos.
Mas se buscarmos referência na natureza, percebemos que toda a vida apenas existe.
Não compara e não para.
Tudo segue, em constante abundância e prosperidade, com liberdade, fluidez, harmonia.
Em meio às dificuldades da sobrevivência, cada vida segue adiante, com humildade, esforço, dedicação.
A natureza e a felicidade são regidas pelo Amor;
Assim, apenas existem, apenas são, em milhões de distintas formas de expressão.
Nenhuma especial, escolhida, melhor do que a outra.
A Alma humana responde à vida.
Deseja romper todos limites, conectar-se com a abundância e com a prosperidade,
com o Amor Incondicional.
A Alma deseja entregar-se, doar-se, Ser Amor sem medida.
Mas entre a Alma Infinita e a pequena e temerosa personalidade faz-se o eterno conflito.
Um corpo que se vê nu, imperfeito e não merecedor do Amor;
E uma Alma, a qual não cabe a fantasia mental do medo e da limitação,
Alma que como o Pai apenas É e deseja, nada mais, do que Ser e Amar.
A nossa vida é produto desse conflito;
Da tensão entre o corpo e a Alma, na busca de um ajuste que produza lindo som.
Num universo onde não existem limites e verdades absolutas, a liberdade é a única e verdadeira condição da evolução.
Essa tal liberdade, é a liberdade da própria mediocridade.
Diz respeito ao que pensamos de nós mesmos e ao espaço que nos permitimos ter, neste vasto infinito.
Qual tamanho você se permite ter?