Damos ao tempo mil importâncias, mais um milhão de atribuições. Mas com certeza não nos conectamos devidamente com o tempo.
Será que sabemos acolher e respeitar nosso tempo? Será que sabemos acolher e respeitar alguma coisa?
Clamamos por mais tempo, 35 horas no dia, essa é a solução.
Eis que aqui estamos, cheios de tempo. Tempo para estar em casa, tempo para estar com a família, tempo para estar consigo mesmo, para pesquisar sobre os interesses, para desenvolver aquele hobbie. O tão sonhado tempo chegou.
Junto com ele veio o tédio, tédio de quem não acolhe e respeita a si mesmo, de quem não vive as suas forças e seus desafios.
Tudo bem, ainda não aprendemos como fazer isso. Queremos ser felizes mas ninguém nos ensinou. Nos ensinaram a preencher o tempo e assim fazemos.
Mil e um livros para ler na quarentena, duzentos cursos online grátis e pacotes promocionais de outros tantos, para você gastar seu tempo escolhendo e depois ter preguiça de fazer. A satisfação do mundo materialista.
Nesse tempo livre a ansiedade vem se intensificando.
As angústias, medos, inseguranças, revoltas vêm falando à tempos, mas parece que com o tempo suas vozes ficam mais altas.
Preciso desesperadamente fazer algo para me ocupar, se não vou ter que olhar, olhar para mim, as minhas emoções, minhas faltas, minhas vergonhas, meu mundo interior. Vou ter que ver que o chicote está na minha mãe, que desequilíbrio do mundo é meu. Que todo mundo sou eu. Vou ter que me ver.
Ansiedade aumenta, surto chega, a mente em seus subterfúgios se ocupa com as mais variadas e aparentemente justas desculpas.
Uma vida aparentemente sob controle.
O tédio se instala. Não há desafio, não há sentido, não há propósito.
Não há nem vontade.
Não existe vida interior.
Com o olhar sempre para fora, só há espelho do externo. Espelho do caos, da doença, da desigualdade, da mentira, do ódio, de tudo o mais.
E a injustiça clama por justiceiros, nesse inconsciente coletivo de cartoon.
Aparecem as roupas de drama queen, de heróis, de monges modernos, de inatingíveis, intelectuais, religiosos, de rebeldes. Qualquer roupa que caiba para se mostrar no espelho da vida.
As redes sociais configuram um mundo paralelo para uma vida aparentemente verdadeira.
A vida interior segue intocada.
Poucos estão em casa, quem aqui está em si mesmo?
Em casa, para ficar nu consigo mesmo. Para se olhar.
Tempo para investigar o que há por traz do tédio, da ansiedade, do drama, do incômodo, da revolta.
Tempo para se acolher, ser seu próprio herói, ser a própria cura.
Tornar-se a sua fortaleza
E assim Ser a cura no mundo.
Tempo para assumir a responsabilidade por si de uma vez por todas.
Tempo para começar uma vida de verdade, com ciência das próprias partes, medos e desejos. Ciência do próprio prazer, propósito, satisfação.
É tempo para reencontrar a alegria de viver,
a sua alegria de viver.
Ser espelho de si mesmo, em silêncio, sem julgamento.
Tempo para descobrir as próprias forças, potências, que gritam querendo se manifestar,
por detrás dessa ansiedade, desse tédio.
Tempo para descobrir a verdadeira vida por detrás de uma vida mal usada.
Quer ajudar o mundo? Vá pra casa
Aproveite o tempo, esteja presente no tempo. Esteja presente em você.
Aceite a sua vida, aceite a sua verdade.
Aceite seu sentir.
Entenda como e por que se colocou onde você está.
Se você compreender como entrou fica muito mais fácil sair.
E sair com aquilo que você foi buscar.
Deguste a sua vida, deguste sua criatividade, se faça feliz.
Caminhe, ponha em movimento os seus passos hora com a perna esquerda, hora com a perna direita.
Não é hora de ficar parado, achando que isso é o equilíbrio.
Aceite a impermanência que faz o caminhar.
E então caminhe para onde você quiser!
Eleve seu astral vivendo uma vida de verdade, com prazer de verdade.
Escolha o que faz sentido para você e se aprofunde.
Se conecte com a sua mente superior e peça ajuda. Ajuda para ver, para compreender. Peça para que o seu caminho se ilumine.
Encontre suas forças para caminhar. Para viver a vida de verdade. A sua vida. Com as suas forças. O seu propósito. Os seus resgates. O seu prazer.
Vá para casa, renovar suas energias.
Casa é para se equilibrar, para relaxar, ser absolutamente livre, ficar na paz.
A casa é sua, o mundo é você. Faça o que quiser, o que puder, o que for verdadeiramente bom para você.