POR DETRÁS DA ARMADURA

querido não mais secreto diário

Já falei de amores, alegrias e dores. Vivências minhas, mesmo que a causa fosse sempre o outro.

Enquanto falei do outro, na minha vida nada mudou.

Então vou falar de mim.

Talvez assim eu deixe de querer ser o centro, para Ser o TODO.

Ou talvez eu veja que palavras não dizem nada.

Vitória, sou eu. Portadora de um temperamento forte, incisivo, determinado. Dizem que líder desde pequeninha. Eu bem me lembro.

Mas também lembro da enorme sensibilidade que fazia doer a pesada armadura, 
impenetrável e cheia de buracos por onde pedi socorro.

Socorro aos outros, a qualquer um com ar amável, que fosse justificável a abertura.

Mas chega de falar dos outros. Já aprendi que o caminho não é por ai.

O julgamento é sempre cego, míope, que nem a paixão, que quando acaba vira crítica, pra fora e pra dentro, no afiado machado de dois gumes.

Já senti na pele e na alma. Já fui apaixonada por mim, pela atraente armadura.

Mas talvez ainda não tenha aprendido a me amar sem julgar.

Acho que esse é o problema e essa é a solução,
para viver sem senão, para sentir em silêncio, para Ser sem palavras.

Mas como saber se me amo ou se ainda me engano?

É um desafio e é natural, amar

Eu sou amada e sei que cada um também é, na medida que quer, na medida que vê.

Amar é aceitar, é construir,
amar é viver, saber Ser, é VIDA

Afinal, que sentido faz a busca por me tornar aquilo que já sou?

Sou amada e ponto final!

Se me amo? Na espreita a crítica animal.
Anjos caídos, que se jogaram ou foram expulsos?
Incapazes de perdoar, de reconhecer a perfeita imperfeição.
Incapazes de voar, de contemplar a beleza mutável.

Impaciente, eu.

Quero acelerar o madurar, quero pular fases, mas a vida é gradual, tal qual dia e noite, o avançar e recolher do mar

Ah mar….

Você simplesmente é; e é vida. Sem pretensão, em tempestade ou dia calmo de verão.

Quero ser como a natureza que apenas é, em distintas e mutantes formas, é.

A mente me cansa

Coletiva mente, infectada pelo medo, pelo ódio, julga mente.

E se eu mudar de mente?

Olhar com o olho bom. O olhar da gratidão, ao invés de reclamar do presente, da minha criativa mente. Semelhança ao Criador

E se eu criar um paraíso? E se eu sustentar um paraíso com vida, construção habitual, construção sem julgamento. Fluxo, maré, como o mar

Se eu me amo? Me amo

Porque eu sou capaz de amar

Nas linhas tortas do meu caminhar eu sigo e se olho bem logo vejo que estou a madurar, no processo de me tornar tudo que Sou. De me tornar o próprio Amar.

Ser verbo sem palavra

Silêncio sem espera

Ser

Propriamente Ser, o bom, o belo

Distintamente Ser, sem segundo, sem porém, sem desdém, sem armadura.

Abertamente

Docemente

Ser

E então Ser em conjunto,
potencializadamente

Bravamente unificar para criar mais, fazer mais, até ser mais, ser o novo, o descoberto

Exponencialmente

Novas formas de ser vida, de ser mar,
seiva,

amar.

 

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